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Prof. Dr. Alberto Duque

Chefe da Clínica de Cirurgia Vascular  do I.E.D.E.

         

A glândula tireóide foi descrita pela primeira vez em 1656, por Wharton, na Inglaterra, que pensou que os fluidos deste órgão tinham a função de lubrificar a traquéia. Ele também  acreditava que a glândula tireóide era maior nas mulheres para que o  contorno do pescoço feminino fosse mais bonito.

 

Posteriormente outros cientistas observaram que o fluxo sangüíneo da glândula em questão era elevado e “deduziram “ que a referida glândula  teria a função de um “ shunt” para o controle do fluxo sanguíneo  para o cérebro. Desta forma a tireóide seria um órgão regulador do fluxo cerebral..Baseado nesta conclusão, RUSH, famoso médico norte americano, concluiu que na mulher a glândula é maior para proteger o sistema nervoso feminino da influência dos incômodos e sensações “aos quais elas parecem estar mais expostas do que os homens”.

Entretanto o médico HOFRICHTER , em 1820 , opôs-se  a esta teoria lembrando que “ se for verdade que a tireóide tem uma variação da turgidez devido ao afluxo de sangue no cérebro, as mulheres teriam cessado de mostrar o pescoço , pois os seus maridos aprenderiam a detectar e reconhecer o aumento desta glândula como um sinal de perigo dos pensamentos de suas esposas “.

Após vários estudos, os pesquisadores não chegaram a nenhuma conclusão e deduziram que ela não servia para nada.

Somente em 1874 é que GULL associou a atrofia da glândula com sinais de hipofunção tireoidiana e, por este motivo, ainda vemos em certos livros, o termo “ Gull’s Disease “. Mesmo assim, por alguns anos, as suas conclusões foram ignoradas. Estudos posteriores ,mostraram o papel desta glândula em secretar substâncias, mas não foram conclusivas. Sua importância só foi estabelecida gradualmente nos anos 40 e 50 , com o diagnóstico do hiper e do hipo tireoidismo, graças aos avanços da farmacologia.  Já a descoberta da  calcitonina, e o seu papel no metabolismo do cálcio, só foi descrito em 1961 .  Desde então, a tireoide passou a ter importante papel na medicina moderna.

O tratamento cirúrgico foi estabelecido na década de 60 e, até hoje, as mesmas técnicas de tireoidectomia total ou  parcial são praticadas, não tendo sido substituídas pela cirurgia vídeo laparoscópica ou a laser, mostrando que trata-se de uma cirurgia eficiente, que promove a cura definitiva para as doenças cirúrgicas da glândula tireoide na grande maioria dos casos. Foi a ultimas das  técnicas cirúrgicas clássicas  que continuam a  realizadas no século XXI, juntamente com os desbridamentos e as amputações de membros gangrenados. Curiosamente ambos os procedimentos são feitos aqui no I.E.D.E.