A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro - SMCRJ foi fundada em 1886. Desde sua origem, sofreu alterações em seus estatutos, mas sempre manteve o mesmo objetivo principal – organizar a categoria médica em torno das discussões específicas da saúde e de seu papel político.

A instituição, inaugurada no dia 14 de fevereiro de 1886, passou a ocupar o prédio de número 77 da rua do Ouvidor. Desde aquela época, a Sociedade já buscava ampliar a participação dos médicos, não restringindo a ideia de associação ao universo acadêmico. O ideal era estimular uma interação da academia médica com as questões sociais da saúde. Ter ao seu lado o maior número possível de médicos, democratizar a comunidade médica.

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Seus fundadores foram os médicos Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta, Hilário Soares de Gouvêa, Henrique Alexandre Monat e Marcos Cavalcante.

Já em 1888 a Sociedade promovia o 1º. Congresso Brasileiro de Medicina, com 141 médicos inscritos. Organizou também congressos em outras cidades, e aceitou como sócios médicos moradores em outros estados, ou mesmo países.  A Sociedade tinha claramente um projeto de representatividade nacional, não limitado à cidade do Rio de Janeiro.

Apesar dos altos e baixos da época, a Sociedade tornou-se um relevante local de discussão dos problemas sanitários da cidade e da república; onde se divulgavam as mais novas conquistas da arte médica, se expunha teorias – ainda que falhas, como a da etiologia da febre amarela, de Domingos Freire, ou a de um vírus filtrável para a tuberculose, de Cardoso Fontes.

Na SMCRJ, em junho de 1932, Manoel de Abreu apresentou uma Nota Prévia, comunicando a descoberta de um método de sua invenção, que iria proporcionar de modo simples e econômico o então sonhado método de exame radiológico pulmonar de massa: a abreugrafia. Na Sociedade estiveram ilustres visitantes strangeiros, como Babinski. Na Sociedade se ouviu Sabin contestar as risonhas estatísticas sobre a pólio apresentadas pelos governos militares.

A Sociedade de Medicina e Cirurgia sempre participou ativamente da vida cultural da cidade.  Para se ter uma idéia de sua importância, o seu orador na cerimônia de inauguração do busto de Pasteur foi Fernando de Magalhães. Seu prestígio foi tão grande que o seu cinqüentenário foi celebrado por uma conferência do Ministro Gustavo Capanema. Seu poder de aglutinação era proporcional ao seu prestígio.  Dentro da Sociedade, nasceram diversas sociedades especializadas, como o Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Entre os nomes que a presidiram, temos Manoel de Abreu, Berardinelli, Helion Póvoa, Maurity Santos, o Prof. Aloysio Salles, Hilário de Gouveia, Nascimento Gurgel, Fernando de Magalhães, Miguel Osório, Raphael Pardellas, Aurélio Monteiro, Arnaldo de Morais, Carlos Cruz Lima, Clementino Fraga Filho, Arnaldo Bonfim, Mário Barreto Correa Lima, Celso Ramos e tantos mais.

Hoje em dia, a Sociedade de Medicina e Cirurgia não é mais uma entidade de âmbito estadual. 0cupa-se da cidade do Rio de Janeiro, para isso dispondo de sua sede na Avenida Mem de Sá, 197, no Centro da Cidade.